Moacir Santos - Choros & Alegria [2005]

ter, 02/12/2008 - 18:39 — mocoroh
Ano: 
2005
Gravadora: 
Biscoito Fino
Audio BitRate: 
128KB/s

Biscoito Fino lança álbum com composições ancestrais do maestro Moacir Santos, produzido por Mario Adnet e Zé Nogueira

Fossem os choros (as valsas, as marchas, os boleros) de Moacir Santos conhecidos assim que ele os começou a compor, lá pelos anos 40, sei não... a história da música brasileira seria muito diferente.

O Moacir compositor que a música brasileira conhece e o mundo aprendeu a admirar é o Moacir moderno. É o Moacir das Coisas, das trilhas sonoras, das harmonias sempre surpreendentes, do impressionante convívio entre a ancestralidade da música africana e a modernidade da música brasileira e do jazz, o Moacir dos discos arrojados gravados para a Forma e para a Blue Note, o inventor, o professor de mais de uma geração da música brasileira, o maestro, mentor, o mito brasileiro que vive longe há tanto tempo, na Califórnia...

Mas antes disso tudo Moacir já era compositor. E Choros & Alegria, formidável coleção de choros e outros gêneros brasileiros cultivados por Moacir durante décadas, é um documento dessa primeira fase de sua obra.

Choros & Alegria, é um álbum que nasceu do convívio do compositor com os músicos Mario Adnet e Zé Nogueira produtores de Ouro Negro, o disco duplo lançado em 2001, com o patrocínio da Petrobras através da Lei de Incentivo à Cultura do MinC. Se Ouro Negro traz a obra de Moacir já em seu apogeu, no cume da maturidade, Choros & Alegria (que é também continuação da parceria com a Petrobras), documenta em parte uma primeira fase de sua música, os primórdios de seu talento musical.

Uma primeira fase que, não custa repetir, teria mudado os rumos da música brasileira se tivesse emergido na época. Sim, porque se nos anos 60, quando apareceram suas surpreendentes composições e orquestrações batizadas Coisas, numeradas simplesmente de um a dez, Moacir criou uma linguagem moderna a partir da arte formatada por Pixinguinha 30, 40 anos antes.

Estes Choros e Alegria começaram a ser feitos 30 anos antes da revolução modernista das Coisas, na mesma época em que Pixinguinha esboçava o período clássico da orquestra brasileira.

As primeiras composições de Moacir, se não são uma história à parte da história da música brasileira, são certamente uma história paralela. Ou seja, a história da música brasileira não pode ser apenas dividida entre um período clássico (ou uma Era de Ouro, pegando emprestado um termo usado habitualmente para descrever a época da composição de sambas e canções) e um período moderno (o das Coisas, dos afro-sambas, da bossa nova, do samba jazz). No meio disso, como a pedra de Drummond, tinha um negrinho lá do sertão pernambucano, bom no clarinete, no trompete, nos saxofones, no piano, na orquestra, no instrumento que lhe caísse nas mãos, que já fazia música moderna que só ela.

Adnet é responsável por algumas "reorquestrações" das novas (ainda que antigas) composições de Moacir, baseadas nas idéias e nos arranjos do maestro.

O disco tem a participação do maior dos trompetistas do jazz contemporâneo, Wynton Marsalis, que, aproveitando um concerto que faria em São Paulo, fez questão de participar das gravações de Choros & Alegria. A música Rota Infinito, uma valsa-jazz lançada por Moacir nos anos 70 foi gravada exclusivamente para a participação de Marsalis, com arranjo de Mario Adnet para a banda inteira. Marsalis, que além de grande músico é professor e verdadeira enciclopédia viva do jazz, comparou Moacir a Thelonius Monk, a Beethoven, pela inventividade, a Duke Ellington pela clareza orquestral. E disse que, como poucos, o compositor e maestro brasileiro sabe misturar a música européia com suas raízes africanas e com a liberdade do jazz.

Para fechar o CD com chave de ouro, nada melhor do que a singeleza de uma canção infantil (Felipe) para celebrar um trabalho que, em sua complexidade, em seus choros e alegrias, busca a essência de uma obra que nasce da inspiração de uma criança que tocava flautas feitas de folhas pelo sertão, sonhando sem saber que o destino o transformaria num dos maiores músicos do mundo.

HUGO SUKMAN

Lista das Músicas: 

01 Agora Eu Sei
02 Outra Coisa
03 Paraíso
04 Vaidoso
05 Flores
06 Saudade de Jacques
07 Cleonix
08 Ricaom
09 De Bahia ao Ceará
10 Excerto No. 1
11 Lemurianos (Pâtâla)
12 Rota Infinito
13 Samba di Amante
14 Carrosel
15 Felipe

Ficha Técnica: 

Direção e produção musical: Mario Adnet e Zé Nogueira
Produção executiva e coordenação do projeto: Mariza Adnet (Pimpim)
Assistentes de produção: Luciana Palhares, Joana Adnet, Antonia Adnet e Inês Adnet

Gravado e mixado nos Estúdios AR, Rio de Janeiro, em abril e maio de 2005
Engenheiro de gravação e mixagem: Duda Mello
Assistentes: Leonardo Moreira e Igor Ferreira

Gravação adicional nos Estúdios MEGA (São Paulo)
Produção executiva (SP): Ruby Nuñez

Masterização: Carlos Freitas (Classic Master), São Paulo.

Projeto gráfico: Eduardo Varela (mente@antibomba.com)
Fotografia: Guto Costa

Digitalização das partituras: Mario Adnet, Alexandre Loureiro, Marcelo Martins e Antonia Adnet

Assessoria jurídica: Denise Costa

Wynton Marsalis foi gentilmente cedido por Blue Note Records

UMA REALIZAÇÃO BISCOITO FINO:

Direção geral - Kati Almeida Braga
Direção artística - Olivia Hime
Produção - Pedro Seiler
Assistente de produção - Tomaz Secco


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